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Actualidades en Psicología

On-line version ISSN 2215-3535

Act.Psi vol.38 n.137 José, San Pedro Montes de Oca Jul./Dec. 2024

http://dx.doi.org/10.15517/ap.v38i137.52503 

Articles

Autoconceito e representações sociais de brasileiros acerca de suas vivências LGBTQIA+

Self-concept and Social Representations of Brazilians about their LGBTQIA+ Experiences

Raimundo Nonato de Sousa Barros Neto1 
http://orcid.org/0000-0001-5066-142X

Ludgleydson Fernandes de Araújo2 
http://orcid.org/0000-0003-4486-7565

Alda Vanessa Cardoso Ferreira3 
http://orcid.org/0000-0001-8010-3234

1Programa de Pós-graduação em Psicologia, Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UFDPar, Parnaíba, Brasil. Correo: nonatosbneto@outlook.com

2Programa de Pós-graduação em Psicologia, Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UFDPar, Parnaíba, Brasil. Correo: ludgleydson@yahoo.com.br

3Programa de Pós-graduação em Psicologia, Universidade Federal do Delta do Parnaíba - UFDPar, Parnaíba, Brasil. Correo: aldavanessacafer@gmail.com

Resumo.

Objetivo. A pesquisa teve por objetivo identificar os elementos constituintes do autoconceito e a estrutura representacional de brasileiros acerca de suas vivências LGBTQIA+. Método. O estudo contou com a participação de 120 pessoas LGBTQIA+, com idade entre 18 e 42 anos (M = 27.19 e DT = 5.95). Para a coleta de dados, utilizou-se um questionário sociodemográfico e o Teste de Associação Livre de Palavras (TALP), com o estímulo indutor “Eu mesmo”. Resultados. A análise indicou que os participantes apresentaram representações positivas de si mesmos, sugerindo um autoconceito saudável. Entretanto, apesar dos traços positivos predominantes, os estressores enfrentados por pessoas LGBTQIA+ podem afetar negativamente o autoconceito. Nesse sentido, algumas das palavras evocadas após a apresentação do estímulo indutor se referem a características e sentimentos negativos, associados a um autoconceito empobrecido

Palavras-Chave. Representações sociais; autoconceito; pessoas LGBTQIA+

Abstract.

Objective. The objective of this research was to identify the constituent elements of the self-concept and the representational structure of Brazilians about their LGBTQIA+ experiences Method. The study involved the participation of 120 LGBTQIA+ people, all Brazilian, aged between 18 and 42 years (M = 27.19 and SD = 5.95). Data collection employed a sociodemographic questionnaire and the Free Word Association Test (FWAT) with the inducing stimulus "Myself". Results. The analysis indicated that participants demonstrated positive self-representations, suggesting a healthy self-concept. However, despite the predominance of positive traits, the stressors faced by LGBTQIA+ individuals may negatively impact their self-concept. In this context, some of the words evoked following the presentation of the inducing stimulus referred to negative characteristics and feelings associated with an impoverished self-concept

Keywords. Social representations; self-concept; LGBTQIA+ people

Introdução

Historicamente, a população LGBTQIA+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Travestis, Queers, Intersexuais e Assexuais) é vítima frequente de violência simbólica, psicológica, sexual, institucional e física (Araújo, 2022). Apesar dos avanços recentes, como a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF; Supremo Tribunal Federal, 2019) que criminaliza casos de preconceito e discriminação motivados pela orientação sexual e/ou identidade de gênero, a LGBTfobia ainda é uma realidade evidente no Brasil.

Em um recente relatório produzido pela revista “Gênero e Número”, 51% das pessoas LGBTQIA+ entrevistadas relataram ter sofrido algum tipo de violência motivada por sua identidade de gênero ou orientação sexual somente no contexto das eleições nacionais de 2018. Enquanto 95.2% perceberam um aumento dos casos de LGBTfobia nos meses subsequentes a eleição (Bulgarelli & Fontgaland, 2019). Ademais, os dados relativos as mortes violentas entre pessoas LGBTQIA+ no Brasil também são alarmantes. Um relatório, produzido em parceria entre os grupos Acontece Arte e Política LGBTI+ e o Grupo Gay da Bahia (GGB), aponta que apenas no ano de 2020 foram registradas 237 mortes violentas de pessoas LGBTQIA+ no Brasil, sendo que, do total, 90.71% dos casos são referentes a homicídios, 5.48% a suicídio e 3.79% a latrocínios (Gastaldi et al., 2021).

Tendo em vista esse cenário, conforme Paveltchuk e Borsa (2020), pessoas que não seguem padrões de heteronormatividade enfrentam, além dos estressores cotidianos comuns a todos, estressores adicionais conhecidos como estresse de minoria. Esses estressores incluem experiências de vitimização, dificuldades relacionadas à aceitação da própria identidade sexual (que podem levar à homofobia internalizada),e expectativas de rejeição devido à sua orientação sexual. De acordo com Antunes (2017), a homofobia internalizada pode ser caracterizada como o sentimento negativo do sujeito acerca de sua própria homossexualidade, que é vivenciada como fonte de sofrimento, perigo e punição para si mesmo.

Dessa forma, ao internalizar a homofobia, o sujeito pode passar a acreditar que seus problemas decorrem de sua orientação sexual, fazendo com que experimentem sentimentos de vergonha, raiva e ódio autodirigidos. Esse processo pode ter diversos desdobramentos, dentre eles o desenvolvimento de baixa autoestima e de uma visão negativa acerca de si mesmo (Antunes, 2017). Nesse sentido, a internalização da homofobia está associada ao desenvolvimento de um autoconceito negativo e a baixos níveis de autoestima (Paveltchuk & Borsa, 2020).

O autoconceito pode ser definido como um conjunto de crenças que cada sujeito possui acerca de si mesmo, sendo um tema de interesse frequente da psicologia social, já que está implicado na organização do pensamento e atua como um guia do comportamento social (Myers, 2014). De acordo com García et al. (2011), o autoconceito deve ser compreendido como um fenômeno multifatorial. Nesse sentido, os autores propõem um modelo de cinco dimensões para a avaliação do autoconceito, sendo: profissional/acadêmico, social, físico, emocional e familiar.

No que se refere aos fatores associados a formação do autoconceito, Myers (2014) salienta a importância dos papeis desempenhados pelo sujeito, suas identidades sociais, as comparações realizadas em relação aos outros, seu histórico de êxitos e fracassos; pelos julgamentos dos outros e pelo contexto cultural em que se está inserido. Tajfel (1981), por sua vez, ao postular a teoria da identidade social, destaca que o autoconceito sofre forte influência da pertença grupal e da identificação do sujeito com seu grupo social.

Desse jeito, considerando as implicações psicossociais das experiências compartilhadas por pessoas LGBTQIA+, inclusive na forma como representam a si mesmas, entende-se como relevante o estudo do autoconceito entre membros dessa comunidade. Nesse contexto, a Teoria das Representações Sociais (TRS) surge como uma abordagem teórica e metodológica adequada, já que o autoconceito está ligado às experiências sociais do indivíduo, particularmente à sua identificação com o grupo ao qual pertence (Myers, 2014; Tajfel, 1981).

Postulada pelo psicólogo social Serge Moscovici, ainda na década de 1960, a TRS propõe o estudo científico do “senso comum”, ou, em outras palavras, do conhecimento construído socialmente e compartilhado por determinado grupo social (Lynch, 2020). Nesse sentido, Jodelet define as representações sociais como “(...) uma forma de conhecimento socialmente elaborado e compartilhado, com um objetivo prático, e que contribui para a construção de uma realidade comum a um conjunto social" (Jodelet, 2001, p. 22).

Apesar de consolidada dentro do campo da psicologia social, a TRS ainda é uma teoria em construção. Ao longo dos cinquenta anos do seu desenvolvimento, surgiram diversas correntes que compõem esse campo teórico mais amplo. Dentre essas, uma das que merece destaque é a abordagem estrutural das representações sociais. Também conhecida como Escola de Aix-en-Provence, essa abordagem tem com marco inaugural a publicação de 1976, da tese de doutorado do psicólogo francês Jean-Claude Abric, onde se estabelece as bases da Teoria do Núcleo Central (TNC; Lynch, 2020).

Na perspectiva de Abric (2003), “uma representação social é um conjunto organizado e estruturado de informações, crenças, opiniões e atitudes, ele constitui um sistema sociognitivo particular, composto de dois subsistemas: um sistema central (ou núcleo central) e um sistema periférico” (p. 38). O núcleo central (NC) é o elemento em torno do qual está organizada uma representação, sendo resultado da memória coletiva e do sistema de normas estabelecido por determinado grupo social. Desse modo, estando ancorado à memória coletiva de um grupo de pertença específico, o núcleo central configura-se como a parte mais rígida de uma representação social, conferindo assim, maior estabilidade às representações (Lynch, 2020).

Os elementos periféricos, por sua parte, promovem a interface entre o núcleo central e a realidade objetiva, dessa maneira, caracterizam-se como os componentes mais acessíveis, dinâmicos e adaptativos das representações sociais (Lynch, 2020). Dessa forma, enquanto o NC é a parte rígida da representação, sendo essencialmente determinado pelo contexto social e apresentando um maior nível homogeneidade grupal, o sistema periférico é mais flexível. Isto já que apresenta um maior grau de individualização, o que lhe garante maior heterogeneidade (Abric, 2003).

Diante do exposto, a investigação do autoconceito de pessoas LGBTQIA+ é de grande relevância, dado o contexto social e cultural em que esse grupo se insere. O autoconceito, que envolve a representação que um indivíduo tem de si mesmo, está profundamente relacionado à autoestima, à saúde mental e ao bem-estar psicológico. Para a população LGBTQIA+, a vivência em um ambiente frequentemente marcado por discriminação, estigmatização e marginalização pode impactar significativamente na construção de um autoconceito positivo e saudável (Antunes, 2017; Paveltchuk & Borsa, 2020).

Portanto, a necessidade de investigar o autoconceito de pessoas LGBTQIA+ vai além do interesse acadêmico, sendo um passo importante para a construção de uma sociedade mais inclusiva e para a promoção de melhores condições de vida e saúde para essa população. Nesse sentido, este estudo poderá oferecer uma compreensão mais aprofundada sobre como o contexto histórico e social brasileiro impacta as representações que indivíduos não heteronormativos constroem acerca de si mesmos.

Tendo por objetivo identificar os elementos constituintes do autoconceito e a estrutura representacional de brasileiros acerca de suas vivências LGBTQIA+, o presente estudo está ancorado na Teoria das Representações Sociais, mais especificamente na abordagem estrutural das representações sociais. A fim de alcançar os objetivos propostos, foi adotado um modelo de pesquisa qualitativo, com a utilização de um protocolo de pesquisa composto por um questionário sociodemográfico e a Técnica de Associação Livre de Palavras - TALP, tendo como estímulo indutor o termo “Eu mesmo”.

Método

Tipo de investigação

En Trata-se de uma pesquisa descritiva e exploratória, com uma abordagem qualitativa.

Participantes

A amostra, do tipo não probabilística e por conveniência, foi composta por 120 (cento e vinte) pessoas LGBTQIA+ brasileiras, com idade entre 18 e 42 anos (M = 27.19 e DT = 5.95). Quanto a orientação sexual, 57% dos participantes se declararam gays (pessoas do gênero masculino que sentem atração sexual por pessoas do mesmo gênero), 22% bissexuais (indivíduos que se relacionam sexualmente com pessoas de ambos os sexos/gêneros), 16% lésbicas (pessoas do gênero feminino que sentem atração sexual por pessoas do mesmo gênero), 4% pansexuais (pessoas que se relacionam sexual e/ou afetivamente com outras pessoas independentemente de sexo ou gênero) e 1% assexuais (indivíduos que não sentem atração sexual por outras pessoas). Já em relação a identidade de gênero, 62% dos entrevistados se identificaram como homens cisgênero (homens que se identificam com o sexo designado no nascimento), 26% como mulheres cisgênero (mulheres que se identificam com o sexo designado no nascimento), 8% como não-binário (pessoa que não define sua identidade de gênero dentro do binarismo, masculino e feminino), 2% como mulheres transgênero (mulheres que se identificam com o gênero oposto ao sexo designado no nascimento), 1% como homens transgênero (homens que se identificam com o gênero oposto ao sexo designado no nascimento) e 1% como travestis (pessoa que nasceu com determinado sexo, mas que passa a se identificar e construir em si mesma o gênero oposto; Reis, 2018). Os critérios de inclusão para participar da pesquisa foram: (1) ter 18 anos ou mais; (2) ter nascido no Brasil; (3) identificar-se como pessoas LGBTQIA+; e (4) aceitar a participação mediante o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

Instrumentos

Utilizou-se de dois instrumentos para a coleta de dados. Primeiramente, a fim de se caracterizar o perfil dos participantes, empregou-se um questionário sociodemográfico, com perguntas relativas sobre idade, sexo, orientação sexual, identidade de gênero, escolaridade, renda familiar e religião. Além desse, com o objetivo de se identificar os elementos constituintes do autoconceito dos participantes e apreender as representações sociais acerca de suas vivências LGBTQIA+, utilizou-se o Teste de Associação Livre de Palavras (TALP), com o estimulo indutor “Eu mesmo”.

Procedimiento

Primeiramente a pesquisa foi submetida a apreciação pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade Federal do Piauí, Brasil, sendo aprovado em setembro de 2021, conforme o parecer de número: 5,001,189. Após a aprovação deu-se início a coleta de dados. No primeiro momento, o instrumento de pesquisa foi divulgado por meio de aplicativos de mensagens instantâneas, como WhatsApp, e de redes sociais, como Instagram, Twitter e Facebook. As pessoas que se dispuseram a participar da pesquisa foram orientadas a ler o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, ficando os pesquisadores disponíveis para sanar possíveis dúvidas acerca do estudo. Ressalta-se que foram respeitadas as orientações apresentadas nas resoluções do Conselho Nacional de Saúde de Nº 466/2012 e 510/2019, que tratam da realização de pesquisas com seres humanos e determina diretrizes éticas para ciências humanas e sociais.

Análise dos dados

A fim de caracterizar o perfil dos participantes da pesquisa, os dados coletados a partir do Questionário Sociodemográfico foram submetidos a análises descritivas, expressas em porcentagem, média e desvio padrão, por meio do Software Estatístico IBM SPSS versão 26. Por sua vez, os dados obtidos por intermédio da TALP foram tabulados numa planilha do software Open Office. Posteriormente, foi importada para o programa de análises textuais IRaMuTeQ versão 0.7 alpha 2, onde foram realizadas análises de matriz, mais especificamente a análise de frequência múltipla e a análise prototípica.

Resultados

A análise prototípica, também chamada de análise das evocações ou técnica do quadro das quatro casas, é um método extensamente utilizado para caracterizar a estrutura de uma representação social a partir de dados coletados por meio de técnicas de evocações livres. A análise prototípica consiste na organização das palavras evocadas pelos participantes em quatro quadrantes, de acordo critérios de frequência (F) e ordem média de evocação (OME; Wachelke et al., 2016).

Identificou-se um total de 560 evocações acerca do estímulo “Eu Mesmo”. Para o agrupamento das respostas foi utilizado o critério semântico, ou seja, as evocações foram classificadas em categorias de acordo com a semelhança de significado (Wachelke & Wolter, 2011). As categorias que tiveram a frequência mínima de evocação inferior a 3 não foram consideradas na apresentação dos quadrantes.

Na primeira coluna da Tabela 1 são apresentadas as categorias que compõem o primeiro quadrante, que corresponde aos elementos centrais. Esse quadrante é composto pelas categorias que tiveram alta frequência (F) e baixa ordem média de evocação (OME), ou seja, são palavras que foram mais prontamente evocadas após a apresentação do estímulo indutor. Como pode ser observado na tabela, foram considerados como elementos centrais as categorias que apresentaram frequência ≥ 6.82 e OME < 2.81.

A primeira categoria a figurar no núcleo central da representação social foi “feliz” (F = 19; OME = 2.6). Esse resultado indica que, apesar dos estressores adicionais específicos dessa comunidade, a presença de fatores de proteção como: resiliência, apoio social familiar e religiosidade, podem estar associados a níveis positivos de bem-estar subjetivo entre os participantes (Campos, 2015). Além de “feliz”, as outras categorias que compuseram o núcleo central foram: “forte" (F = 17; OME = 1.5), “lutador" (F = 16; OME = 2.6), “resistente" (F = 9; OME = 2.8), “medo" (F = 8; OME = 2.6), “corajoso" (F = 7; OME = 2.3) e “solitário" (F = 7; OME = 1.6). Como pode ser observado, com exceção das categorias “solitário” e “medo”, as demais podem ser percebidas como características desejáveis, associadas a um autoconceito positivo.

Os elementos da primeira periferia, que correspondem ao segundo quadrante, são aquelas categorias que apresentaram alta frequência de evocação, entretanto, sua ordem média de evocação foi superior à dos elementos centrais. Ou seja, apesar de apresentar alta frequência, sua evocação, em média, se deu posteriormente a evocação dos elementos centrais. Como pode ser visto na segunda coluna da Tabela 1, os elementos da primeira periferia foram “amor" (F = 21; OME = 3.2), “amigo" (F = 12; OME = 2.9), “livre" (F = 11; OME = 3.5), “ansioso" (F = 10; OME = 3.1), “respeito" (F = 7; OME = 3.6) e “empático" (F = 7; OME = 3.7). Consequentemente, em consonância com os elementos do núcleo central, com exceção da categoria “ansioso”, os elementos periféricos estão associados a características positivas dos sujeitos, estando especialmente orientadas à dimensão social do autoconceito (García et al., 2011). Quanto a categoria “ansioso”, Francisco et al. (2020) colocam que, frequentemente, os sintomas de ansiedade entre pessoas LGBTQIA+ estão relacionados a vergonha e comportamento evitativo assumidos por essa população, por conta da discriminação e a falta de apoio social e familiar.

Tabela 1  Elementos Centrais e Primeira Periferia das representações sociais sobre “Eu Mesmo” 

- Elementos Centrais Elementos da Primeira Periferia
- Palavra F OME < 2.81 Palavra F OME > 2.81
Frequência ≥ 6.82 Feliz 19 2.6 Amor 21 3.2
Forte 17 1.5 Amigo 12 2.9
Lutador 16 2.6 Livre 11 3.5
Resistente 9 2.8 Ansioso 10 3.1
Medo 8 2.6 Respeito 7 3.6
Corajoso 7 2.3 Empático 7 3.7
Solitário 7 1.6 - - -

No terceiro quadrante encontram-se os elementos contrastantes, sendo aqueles que foram prontamente evocados após a apresentação do estímulo indutor, entretanto sua frequência de evocação foi menor em relação aos elementos do núcleo central. Parte dos elementos contrastantes, que podem ser observados na primeira coluna da Tabela 2, se referem a características que podem ser compreendidas como positivas acerca de si mesmos, como “inteligente (F = 6; OME = 2.3)”, “autêntico (F = 6; OME = 2.5)” e “honesto (F = 3; OME = 1.7)”. Por outro lado, quando comparado aos elementos do núcleo central e sistema periférico, no terceiro quadrante houve uma maior ocorrência de categorias associadas a um autoconceito negativo, como “inseguro” (F = 6; OME = 2.8), “sofrimento” (F = 6; OME = 2.5), “triste” (F = 5; OME = 2.0) e “tímido” (F = 4; OME = 2.2).

Tabela 2  Elementos Contrastantes e Segunda Periferia das representações sociais sobre “Eu Mesmo” 

- Elementos Contrastantes Elementos da Segunda Periferia
- Palavra F OME < 2.81 Palavra F OME > 2.81
Frequência ≥ 6.82 Inteligente 6 2.3 Vida 6 4.0
Inseguro 6 2.8 Sonhador 6 3.3
Sofrimento 6 2.5 Carinhoso 6 3.5
Aceitação 6 1.7 Perseverante 5 4.6
Autêntico 6 2.5 Determinado 4 3.8
Triste 5 2.0 Esforçado 4 3.0
Gay 4 1.8 Independente 4 4.0
Tímido 4 2.2 Único 3 3.0
Mudança 3 2.3 Livros 3 3.3
Honesto 3 1.7 Resiliente 3 4.7
Egoísmo 3 1.7 Depressivo 3 3.3
- - - Simpático 3 3.3
- - - Sensível 3 3.0
- - - Tranquilo 3 3.3

Os elementos da segunda periferia, situados no quarto quadrante, complementam os elementos da primeira periferia, mas apresentam menor frequência de evocação do que esses. Como pode ser visualizado na segunda coluna da Tabela 2, esses elementos apresentaram forte semelhança com os dos demais quadrantes, com maior frequência de categorias que remetem a um autoconceito saudável, como “sonhador” (F = 6; OME = 3.3), “carinhoso” (F = 6; OME = 3.5), “perseverante” (F = 5; OME = 4.6), “determinado” (F = 4; OME = 3.8), “esforçado” (F = 4; OME = 3.0), “independente” (F = 4; OME = 4.0), “resiliente” (F = 3; OME = 4.7)” e “simpático” (F = 3; OME = 3.3).

De maneira geral, foi possível identificar que, tanto no núcleo central como no sistema periférico, houve uma maior ocorrência de palavras referentes a características e sentimentos que podem ser compreendidos como positivos, esperados para um autoconceito saudável. Todavia, também foi observada a ocorrência de categorias associadas características e sentimentos não desejáveis, que podem ter implicações psicossociais negativas para os sujeitos.

Diante das categorias evocadas, discute-se aqui os elementos constituintes da estrutura representacional de pessoas LGBTQIA+ acerca de si mesmas, relacionando os achados às vivências e experiências compartilhadas por representantes desse grupo. Além disso, discorre-se sobre os fatores possivelmente associados a forma como elas representam a si mesmas, bem como as possíveis implicações psicossociais de determinadas características e sentimentos que compõem o autoconceito dos participantes.

Discussão

A primeira categoria a figurar no núcleo central das representações sociais foi “feliz”, indicando que, apesar da população LGBTQIA+ sofrer com estressores adicionais, associados a um contexto social notadamente LGBTfóbico, os participantes possuem níveis satisfatórios de bem-estar subjetivo. Esse sentimento ou estado de humor, naturalmente, deve ser compreendido como um traço positivo da dimensão emocional do autoconceito (García et al., 2011). Paveltchuk e Borsa (2020) colocam que alguns fatores, sejam individuais ou ambientais, atuam como protetores do bem-estar entre minorias sexuais.

Estudos indicam o apoio social e familiar, a resiliência, a religiosidade, a autoestima, a autoaceitação e estar em um relacionamento,também funcionam como alguns desses fatores (Campos, 2015; De Vries et al., 2019). Roberts e Christens (2021) destacam ainda que a conectividade e o envolvimento com movimentos LGBTQIA+ tem impactos positivos sobre o bem-estar desse grupo. Para os autores, a comunidade LGBTQIA+, enquanto movimento sociopolítico, atua como uma fonte de acolhimento, validação e segurança. Desempenha um papel essencial na promoção do bem-estar de pessoas não-heteronormativas ao favorecer um ambiente onde essas possam expressar-se livremente e enfrentar estressores sociais de forma mais fortalecida.

Apesar da relevância dos dados apresentados anteriormente, é fundamental reconhecer que estressores específicos, como vivências de vitimização LGBTfóbica e a homofobia internalizada, acarretam consequências significativas para o bem-estar de pessoas LGBTQIA+. Conforme apontado por Paveltchuck e Borsa (2020), esses estressores adicionais, denominados estressores de minoria, contribuem para uma maior vulnerabilidade de pessoas não-heteronormativas ao comprometimento de sua saúde mental e bem-estar. Essa realidade é corroborada por pesquisas que indicam que indivíduos LGBTQIA+ tendem a apresentar indicadores de bem-estar subjetivo, satisfação com a vida e saúde mental em níveis inferiores aos das pessoas cisgênero e heterossexuais (Araújo, 2022; Paveltchuk et al., 2019). Esses achados apontam para a necessidade de abordagens inclusivas e sensíveis no campo da saúde mental, com intervenções focadas nas especificidades de cada grupo da comunidade LGBTQIA+ e voltadas para a mitigação dos impactos desses estressores minoritários.

Ainda no núcleo central, são observadas outras características como: “forte”, “lutador”, “resistente” e “corajoso”, que podem ser compreendidas como positivas. Naturalmente, tais características não podem ser desvencilhadas das experiências e representações compartilhadas pelo grupo de pertença dos participantes. Nesse sentido, compreende-se que, muitas vezes em contextos adversos para minorias sexuais, lutar e a resistir tornam-se, ações essenciais para assegurar o direito de existir e expressar livremente a própria orientação sexual e identidade de gênero.

Casali e Gonçalves (2019), ao versar sobre os desafios em relação à proteção e garantia do direito à diversidade sexual, à cidadania e à educação escolar apontam que o preconceito e a discriminação se apresentam como obstáculos à permanência de pessoas LGBTQIA+ no ambiente escolar. O mesmo pode ser observado no campo do trabalho, onde pessoas LGBTQIA+ enfrentam dificuldades que vão desde a inserção até a permanência em ambientes laborais marcados pela LGBTfobia (Menezes et al., 2018). Assim, embora as características mencionadas no parágrafo anterior possam ser entendidas como componentes de um autoconceito positivo, elas também sinalizam uma necessidade constante de luta e vigilância para assegurar direitos fundamentais. Para a população LGBTQIA+, tais traços refletem uma adaptação frente a contextos adversos e representam uma resposta de enfrentamento frente a ambientes que ainda limitam a igualdade de oportunidades e o exercício pleno da cidadania.

No que diz respeito à dimensão social do autoconceito, as categorias "amor", "amigo" e "empático" parecem refletir uma percepção positiva dos participantes sobre suas habilidades sociais e relações interpessoais. Esse achado é particularmente relevante, considerando que o apoio social se destaca como um importante fator de proteção ao bem-estar de pessoas LGBTQIA+ (Campos, 2015). Em complemento, um estudo de McConnell et al. (2015), realizado com 232 jovens LGBTQIA+, revela que o apoio social - especialmente o apoio familiar - possui uma correlação significativa com a saúde mental, reforçando o papel fundamental das redes de apoio na mitigação dos impactos negativos de estressores externos. Esses relacionamentos de apoio e aceitação contribuem não apenas para o fortalecimento do autoconceito, mas também para a promoção de uma saúde mental mais estável e positiva, enfatizando a importância da conexão e da empatia na construção de uma identidade saudável para pessoas LGBTQIA+.

Em contrapartida às características discutidas anteriormente, termos como "solitário", "medo", "ansioso", "inseguro", "sofrimento", "triste" e "tímido" refletem sentimentos e estados emocionais que podem gerar impactos psicossociais negativos, especialmente no que diz respeito à saúde mental e à socialização de pessoas LGBTQIA+. Essas características muitas vezes indicam experiências de vulnerabilidade e estresse psicológico, resultantes de discriminação e exclusão. O isolamento social e a insegurança em revelar aspectos importantes da própria identidade podem intensificar essas sensações, contribuindo para o desenvolvimento de condições como ansiedade e depressão.

Nesse sentido, um estudo de revisão integrativa realizado por Francisco et al. (2020) aponta que a população LGBTQIA+, quando comparada aos heterossexuais, apresenta maior risco para transtornos de saúde mental, dentre eles a ansiedade e depressão. De acordo com os autores, os sintomas de ansiedade estão relacionados com a vergonha e o comportamento evitativo dessa população, decorrente da discriminação e a ausência de apoio social e familiar.

Em outro estudo, conduzido por Guimarães et al. (2019), jovens homoafetivos revelaram sentir receio de falar abertamente sobre sua orientação sexual com familiares, por medo da rejeição, violência, perder o suporte financeiro ou causar conflitos entre os pais. Por conta disso, alguns optaram por se afastar da família, a fim de poder vivenciar a homoafetividade. Os participantes relataram ainda se sentir inseguros em revelar sua orientação sexual a amigos, por medo de perderem sua amizade. De acordo com Elmer et al. (2022), essa expectativa de rejeição e a consequente tentativa de ocultar a orientação sexual, pode levar ao retraimento e isolamento social. Em consonância com essa afirmação, em um estudo de metanálise realizado por Gorczynski e Fasoli (2021), representantes de minorias sexuais apresentaram indicativos de solidão mais elevados quando comparados aos heterossexuais.

Em complemento, estudos apontam que a solidão e isolamento social entre pessoas LGBTQIA+ estão associados a níveis inferiores de saúde mental e física (Eres et al., 2021; Araújo, 2022). Dessa forma, é importante pesquisar estratégias que visem a integração social de pessoas LGBTQIA+. Araújo (2022), ao tratar sobre os aspectos biopsicossociais da velhice LGBT+, salienta que a comunidade LGBTQIA+ exerce importante papel no enfrentamento do isolamento social e solidão vivenciadas por esse grupo, oferecendo redes de apoio e espaços de acolhimento que contribuem para um envelhecimento mais saudável.

Em linhas gerais, as categorias que compõem o núcleo central e o sistema periférico indicam que os participantes possuem representações que podem ser compreendidas como positivas acerca de si mesmos, o que sugere um autoconceito saudável. A representação positiva da identidade LGBTQIA+ como uma expressão saudável e aceitável é importante para essa construção, contribui para a aceitação da própria identidade e fortalece a sensação de pertencimento. Ao relacionar esses achados com as vivências compartilhadas pelo grupo de pertencimento dos participantes, observa-se que a presença de fatores de proteção (tanto individuais quanto do meio) pode atuar como moderadores em um ambiente marcado pela discriminação e preconceito. Tais fatores de proteção, como a rede de apoio familiar e social e a inserção em contextos afirmativos, desempenham um papel fundamental na manutenção de um autoconceito positivo diante das adversidades sociais, permitindo que os indivíduos transitem de maneira mais segura e confiante.

Entretanto, a predominância de traços associados a um autoconceito positivo não implica que os estressores adicionais a que estão submetidas pessoas LGBTQIA+ não possuem reverberações mais amplas sobre o autoconceito dos membros desse grupo. Nesse sentido, algumas das palavras evocadas após a apresentação do estímulo indutor “Eu mesmo” se referem a características e sentimentos negativos, associados a um autoconceito fragilizado. Isso pode refletir as experiências de discriminação, rejeição social e estigmatização, que frequentemente marcam as vivências de pessoas LGBTQIA+. Assim, embora traços positivos de autoconceito estejam presentes, a internalização de atitudes sociais negativas e o enfrentamento contínuo de preconceitos podem, eventualmente, minar a visão que esses indivíduos têm de si mesmos.

Os resultados deste artigo fornecem contribuições relevantes para a melhor compreensão acerca dos fatores implicados na construção de um autoconceito positivo de pessoas LGBTQIA+. No contexto da psicologia clínica, os achados sugerem a importância de intervenções que promovam a aceitação e valorização da identidade LGBTQIA+, criando espaços de acolhimento que mitiguem os efeitos de estressores como o preconceito e a homofobia internalizada. Na psicologia do desenvolvimento, destacam-se a necessidade de abordagens que favoreçam a construção de uma autoimagem positiva em jovens LGBTQIA+, oferecendo modelos de apoio e pertencimento que validem sua identidade ao longo da vida. Do ponto de vista sociológico, a promoção de representações sociais afirmativas sobre a identidade LGBTQIA+ pode impactar positivamente a percepção e aceitação coletiva. Isto contribui para uma sociedade que apoie o bem-estar das minorias sexuais e favoreça a inclusão. Isso inclui fortalecer as redes comunitárias e ampliar a visibilidade de discursos afirmativos, gerando um contexto mais inclusivo e menos estigmatizante.

Além disso, os resultados também evidenciam as consequências negativas do estresse minoritário e da homofobia internalizada sobre o autoconceito de pessoas LGBTQIA+, destacando suas implicações psicossociais prejudiciais. Na psicologia clínica, isso ressalta a necessidade de abordagens terapêuticas que ajudem os indivíduos a ressignificar pensamentos autodepreciativos e internalizados, desenvolvendo estratégias de enfrentamento para mitigar os impactos da LGBTfobia. Na psicologia do desenvolvimento, os dados apontam para a importância das intervenções preventivas para apoiar os jovens LGBTQIA+, ajudando-os a lidar com a discriminação e a fortalecer um autoconceito saudável. Já no campo social, a compreensão das desvantagens do estresse minoritário reforça a necessidade de políticas e ações sociais que combatam o estigma e promovam ambientes inclusivos. Isto permitiría que pessoas LGBTQIA+ se desenvolvam plenamente e sem as pressões do preconceito, criando uma sociedade mais inclusiva e protetora do bem-estar das minorias sexuais.

Quanto as limitações apresentadas pelo estudo, observa-se que, devido a coleta de dados ter sido realizada de forma exclusivamente online, pessoas brasileiras que não possuem acesso à internet não foram alcançadas pela pesquisa. Tal fato reflete ainda na composição da amostra, que, como pode ser observado, foi constituída majoritariamente por pessoas jovens que cursam ou já concluíram o ensino superior. Além disso, a amostra pode ter sido afetada por um viés de autosseleção, uma vez que a participação na pesquisa foi voluntária e dependente do interesse do indivíduo. Esse viés pode ter influenciado os resultados, pois pessoas com maior disposição para responder a pesquisas online podem ter características ou opiniões distintas em relação à população geral.

A despeito das limitações, espera-se que o estudo possa contribuir para as discussões acerca da temática, como também para subsidiar o desenvolvimento de programas e estratégias que visem a promoção de um autoconceito saudável entre pessoas LGBTQIA+. Sugere-se que em futuras pesquisas, além da TALP, sejam utilizadas perguntas abertas referentes a forma como pessoas LGBTQIA+ representam a si mesmas, a fim de que esses dados possam complementar os obtidos, proporcionando um material ainda mais amplo e rico para a discussão.

Ademais, é importante destacar que a comunidade LGBTQIA+ abrange uma diversidade de grupos como: gays, lésbicas, bissexuais, assexuais, pessoas trans e travestis, cada um dos quais enfrenta estressores específicos ligados a identidades e vivências próprias. Dessa forma, estudos futuros podem aprofundar-se nas representações sociais, desafios e particularidades de cada grupo, reconhecendo a complexidade e a diversidade de experiências que compõem essa comunidade mais ampla. Tal abordagem permitirá uma compreensão mais sensível e abrangente do autoconceito e das formas de enfrentamento desenvolvidas por esses indivíduos frente a contextos de discriminação e marginalização.

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Recebido: 17 de Setembro de 2022; Aceito: 05 de Novembro de 2024

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