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Revista Geográfica de América Central

On-line version ISSN 2215-2563Print version ISSN 1011-484X

Rev. Geog. Amer. Central  n.74 Heredia Jan./Jun. 2025  Epub Feb 18, 2025

http://dx.doi.org/10.15359/rgac.74-11 

Artículo

Reconociendo metrópolis, um estudio de interpretación de la realidad de Maceió, Alagoas, Brasil

Reconhecendo metrópole, um estudo de interpretação da realidade de Maceió, Alagoas, Brasil

Recognizing metrópolis, a study of interpretation of the reality of Maceió, Alagoas, Brasil

Rostan Antonio de Lima Silva1 
http://orcid.org/0009-0008-2484-5354

Paulo Rogério de Freitas Silva2 
http://orcid.org/0000-0003-1570-6391

1 Graduado em Geografia pela Universidade Federal de Alagoas, Mestrando em Geografia pelo Programa de Pós-graduação em Geografia, Universidade Federal de Alagoas, Maceió, Alagoas, Brasil. E-mail: rostan.silva@igdema.ufal.br, https://orcid.org/0009-0008-2484-5354.

2 Geógrafo, Docente do Instituto de Geografia, Desenvolvimento e Meio Ambiente-Graduação e Pós-graduação em Geografia na Universidade Federal de Alagoas, Maceió, Alagoas, Brasil. E-mail: paulo.silva@igdema.ufal.br, https://orcid.org/0000-0003-1570-6391.

Resumen

El objetivo de este artículo es reconocer el proceso de metropolización en Maceió, Alagoas, Brasil, realizando una síntesis de estudios que contienen el tema en análisis. De esta manera, partimos de la discusión sobre la institucionalización de la región metropolitana de Maceió, inicialmente en 1998 y buscamos reflexionar, a partir del estatus de capital del estado, las acciones que condicionan o no el proceso de metropolización en este lugar, cuestionando si existe este artificio que la catalogue como metrópoli y qué tipo de metropolización sería esa. Nos apoyamos en autores que se dedican a esta discusión y que proponen características para definir este proceso en el espacio. Destacamos que algunas actividades emergen en Maceió como fundamentales para desencadenar este proceso y trazar los caminos que llevan a Maceió a la condición de metrópolis incompleta, en la medida que irradia sobre un espacio con aportes externos, como, directamente, el de Recife.

Palabras clave: Interpretácion; Maceió; Metrópoli; Metropolización

Resumo

O objetivo do presente artigo consiste em reconhecer o processo de metropolização em Maceió, Alagoas, Brasil, realizando uma síntese de estudos que contêm o tema em análise. Dessa forma, partimos da discussão sobre institucionalização da região metropolitana de Maceió, inicialmente no ano de 1998 e buscamos refletir, a partir da condição de capital estadual, as ações que condicionam ou não, nesse lugar, o processo de metropolização, questionando se existe esse artifício que a classifique como uma metrópole e que tipo de metropolização seria esse. Amparamo-nos em autores que se dedicam a essa discussão e que propõem características para definir o referido processo no espaço. Destacamos que algumas atividades despontam em Maceió como fundamentais para provocar esse processo e traçar os caminhos que conduzem a capital à condição de uma metrópole incompleta, já que se irradia sobre um espaço com contribuições externas, tal como, diretamente, a do Recife.

Palavras-chaves: Interpretação; Maceió; Metrópole; Metropolização

Abstract

The objective of this article is to recognize the metropolization process in Maceió, Alagoas, Brazil, carrying out a synthesis of studies that contain the theme in analysis. In this way, we start from the discussion about the institutionalization of the metropolitan region of Maceió, initially in 1998 and we seek to reflect, based on the status of capital of the state, the actions that condition the metropolitan process in this place, questioning whether there is this process that catalogs it as a metropolis and what kind of metropolization would that be. We support authors who are dedicated to this discussion and who propose characteristics to define this process in space. We highlight that some activities emerge in Maceió as fundamental to trigger this process and bring the roads that lead to Maceió to the condition of an incomplete metropolis, as it radiates over a space with external contributions, such as, directly, Recife.

Keywords: interpretation; Maceió, Metropolis; Metropolization

Introdução

Destacamos que a motivação de desenvolver esse tema de pesquisa ocorre inicialmente a partir da realidade institucional presente no estado de Alagoas, isto é, o arquétipo regional denominado de Região Metropolitana de Maceió, relacionado com as reflexões de Firkowsky (2012), quando essa autora discorre que, “Tratar o tema de região metropolitana na perspectiva acadêmica é sempre um desafio, na medida em que tendemos a idealizar sua compreensão priorizando o que poderíamos denominar de “pureza conceitual” (Firkowsky, 2012, p. 21). Esses argumentos nos impelem a refletir sobre o significado da realidade desse arquétipo regional montado em Alagoas, relacionando com os interesses dos estados e a realidade urbana, tal como destaca novamente, Firkowsky (2012), quando assegura que,

A discussão de região metropolitana como institucionalidade significa, no Brasil, atribuir ao termo um caráter mais relacionado a uma perspectiva de desenvolvimento regional do que urbano-metropolitano. Nesse sentido, sua formação não prioriza o processo socioespacial, mas sim o político institucional, ou seja, sua definição é legalmente atribuída, por força de uma lei (Firkowsky, 2012, p. 37).

Advindo dessa conceituação e refletindo a institucionalização da Região Metropolitana de Maceió em 1998, inicialmente com 11 municípios, somados às alterações em sua composição nos anos de 2013 e 2014, quando se acrescentaram dois novos municípios integrantes, ponderamos a conexão dessa região com a realidade urbano-metropolitana, como tema de pesquisa a ser desenvolvido nesse artigo, buscando verificar o processo socioespacial e não somente a institucionalização política, já que regiões metropolitanas são institucionalizadas a partir de leis complementares.

Baseados nesses argumentos, interrelacionados entre processo socioespacial e legislações, passamos a questionar se existe um processo de metropolização em Maceió que a classifique como uma metrópole e que tipo de metropolização seria essa.

De acordo com Firkowsky (2012), destacamos que estamos em busca de analisar e reconhecer, através de uma interpretação da realidade de Maceió, capital do estado de Alagoas, localizada no Nordeste do Brasil, ações que possam ser interpretadas como provocadoras de metropolização nesse espaço, isto é, de um processo socioespacial que ultrapasse o limite da lei complementar, como reflete, quando se refere à “pureza conceitual”.

Referencial teórico-conceitual e metodológico

Acrescentamos que essa pesquisa tem como modelo de investigação científica, a pesquisa qualitativa, que busca analisar e compreender o objeto de pesquisa, considerando seus sujeitos e a complexidade que o envolve, além de fazer uma síntese de estudos sobre o tema em análise.

Relevamos que procuramos reconhecer metrópole, através da interpretação da realidade de Maceió, baseados em alguns autores e em subsídios de órgãos nacionais, por atestarmos que eles possibilitam esse reconhecimento, contentando o enfoque que se objetiva alcançar que se resume a uma leitura de uma realidade de um país, que apresenta escalas diferentes em sua hierarquia urbana e no contexto de sua diversidade regional. Essa hierarquia urbana brasileira diversa, se diferencia, dependendo da leitura e da escala de análise arranjada e seus propósitos.

Os autores e órgãos selecionados para tal empreitada desenvolvem pesquisas e são referências nos estudos da temática em debate, seja no âmbito acadêmico ou com relação à provisão de dados e informações do país, o que justifica a seleção dos mesmos no desenvolvimento dessa análise.

Nesse constructo introdutório, na busca de refletir o processo de metropolização em Maceió, frisamos, conforme Lencioni (2006), que

“Metropolização” advém da palavra “metropolizar” seguida do sufixo ação. Esse sufixo forma substantivos a partir de verbos e exprime um sentido de ação ou o resultado de uma ação, como “nomeação” ou “traição”. No caso em pauta, “metropolização” deriva de “metropolizar”. Porém, a rigor, tanto o substantivo “metropolização” como o verbo “metropolizar” não existem na língua portuguesa. O sentido que “metropolização” busca exprimir é, justamente, o sentido de ação, de processo; especificamente indica uma ação continuada, um processo (Lencioni, 2006, p. 47).

Tomando como referência esse conceito de Lencioni (2006) sobre metropolização, acrescentamos que estamos à procura de refletir o sentido de ação, de processo, que pode resultar numa intervenção socioespacial em Maceió.

Nessa reflexão acerca da ação e do processo de metropolizar, destacamos para Maceió a sua condição política de capital de um estado que lhe condiciona uma série de ações; assim como também, de núcleo de uma região metropolitana institucionalizada em 1998, de acordo com Silva (2021), formalizada atualmente por 13 municípios ; bem como, da categoria de capital regional de nível “A”, conforme IBGE (2020), que a classifica como um centro urbano com alta concentração de atividades de gestão. Soma-se a isso a constatação de que Maceió é também definidora de uma região geográfica intermediária no estado de Alagoas, sendo um polo de hierarquia superior diferenciado a partir dos fluxos de gestão privado e público e da existência de funções urbanas de maior complexidade, conforme o IBGE (2017).

Área de Estudo / Características Gerais

Nessa conjuntura, estamos nos referindo a uma capital estadual que concentra em seus limites municipais, conforme o IBGE (2022), 957.916 habitantes, aproximadamente um milhão de habitantes, e que integra um arquétipo regional denominado de Região Metropolitana de Maceió, conforme figura 01, formalizada por treze municípios: Atalaia, reunindo 37.512 pessoas; Barra de São Miguel, 7.944 pessoas; Barra de Santo Antônio, 16.365 pessoas; Coqueiro Seco, 5.581 pessoas; Maceió, 957.916 pessoas; Marechal Deodoro, 60.370 pessoas; Messias, 15.405 pessoas; Murici, 25.187 pessoas; Paripueira, 13.835 pessoas; Pilar, 35.370 pessoas; Rio Largo, 93.927 pessoas; Santa Luzia do Norte, 6.919 pessoas; e Satuba, 24.278 pessoas; que juntas concentram 1.300.609 habitantes, quadro 01.

Quadro 01 População dos municípios da Região Metropolitana de Maceió 

Municípios População (habitantes) Ordem de tamanho
Atalaia 37.512 Quarto lugar
Barra de São Miguel 7.944 Décimo primeiro lugar
Barra de Santo Antônio 16.365 Oitavo lugar
Coqueiro Seco 5.581 Décimo terceiro lugar
Maceió 957.916 Primeiro lugar
Marechal Deodoro 60.370 Terceiro lugar
Messias 15.405 Nono lugar
Murici 25.187 Sexto lugar
Paripueira 13.835 Décimo lugar
Pilar 35.370 Quinto lugar
Rio Largo 93.927 Segundo lugar
Santa Luzia do Norte 6.919 Décimo segundo lugar
Satuba 24.278 Sétimo lugar
Total 1.300.609

Fonte: IBGE (2022).

Conforme o IBGE (2020), acrescentamos que a condição de capital regional de nível “A” em Alagoas coloca Maceió no topo da hierarquia urbana estadual que é formalizada, também, por uma capital regional de nível “C”, 06 centros sub-regionais de nível “B”, 06 centros de zona de nível “B” e 88 centros locais.

Também a categoria de polo de hierarquia superior diferenciado, a partir dos fluxos de gestão privado e público e da existência de funções urbanas de maior complexidade, formaliza uma região geográfica intermediária composta diretamente por 52 cidades polarizadas por Maceió, de acordo com IBGE (2017).

No que se refere à região geográfica imediata de Maceió, essa se formaliza por Maceió, Paripueira, Barra de Santo Antônio, Marechal Deodoro, Barra de São Miguel, Coqueiro Seco, Santa Luzia do Norte, Satuba, Pilar, Rio Largo, Flexeiras, Joaquim Gomes e Messias, correspondendo, conforme o IBGE (2020), às áreas que procuram centros urbanos próximos para satisfação de necessidades imediatas como emprego, saúde, educação, compras de bens de consumo e prestação de serviços públicos. Nesse caso, além de Maceió polarizar uma região geográfica intermediária em Alagoas, tem também sua região geográfica imediata, com uma composição que se diferencia de sua região metropolitana, acompanhando a rodovia BR - 101 em direção ao estado de Pernambuco, segundo o IBGE (2020).

Elaboração própria. Fonte: Alagoas em Dados e Informações (2023)

Figura 01 Região Metropolitana de Maceió 

A partir dessas questões introdutórias, o que buscamos é encontrar o sentido de uma ação que possa ser definidora do processo de metropolização em Maceió. Considerando a ação como motivadora de um processo que leva a um espaço componentes chamados de metropolitanos, Lencioni (2006) registra que “(...) enquanto a ideia de metrópole se relaciona à de cidade, a de metropolização a ultrapassa” (Lencioni, 2006, p. 47). A autora em foco ainda destaca:

Quando falamos em metropolização, estamos falando de um processo socioespacial, de um processo que imprime ao espaço características metropolitanas, por exemplo, alta densidade, em termos relativos, de fluxos imateriais e frequentes e significativos de relações com outras metrópoles, mormente as chamadas cidades globais. Ou seja, falamos tanto de um processo que transforma as cidades em metrópoles como de um processo socioespacial que impregna o espaço de características metropolitanas. (Lencioni, 2006, p. 47).

Então, a ideia de metrópole é condicionada pelo aparelhamento que a cidade reúne e a metropolização está ancorada no alcance que esta cidade possui, isto é, influência e conexão, conforme figuras 2 e 3 que demonstram as influências e as conexões estabelecidas por Maceió, organizando um arranjo socioespacial apresentado pelo IBGE (2020) que estabelece como legenda na figura 02, capitais regionais “A” e “C”, centros sub-regionais, centros de zona e centros locais e, na figura 03, grande metrópole nacional, metrópoles nacionais, metrópoles, capitais regionais e as demais realidades apresentadas na figura 02.

Fonte: IBGE (2020)

Figura 02 Região de Influência de Maceió 

Fonte: IBGE (2020)

Figura 03 Conexões externas de Maceió 

Amparados na apreciação de que o processo de metropolização ultrapassa a ideia de cidade, refletimos, a partir de Maceió, a influência dessa centralidade e o seu consequente alcance com relação a sua região metropolitana e a todo o estado de Alagoas, assim como, transbordando ou conciliando influência com alcances variados, com as capitais dos estados de Pernambuco e Sergipe, conforme Figura 02. Também destacamos as conexões com a grande metrópole nacional, São Paulo, as duas metrópoles nacionais, Rio de Janeiro e Brasília, a metrópole Recife e outras capitais regionais, conforme figura 03 em IBGE (2020).

Destacamos que, apesar de buscarmos encontrar características particulares as quais favoreçam a identificação de metrópoles, encontramos em Lencioni (2017) a ressalva de que,

O pesquisador não reconhece metrópoles, ele interpreta a realidade imbuído de teorias e de métodos que lhe permitem compreender a realidade. No caso em discussão, não há reconhecimento de metrópole, mas a interpretação de que o que se examina, ou seja, a realidade objetiva, pode ser interpretada como sendo constituída de metrópoles (Lencioni, 2017, p. 199).

Sendo assim, estamos imbuídos de interpretar a realidade da capital alagoana, procurando reconhecer, a partir do que se examina, que é Maceió, realidade objetiva, conforme as teorias e métodos aqui elencados, buscando a interpretação da constituição da metrópole, como destacado no título do presente trabalho.

Fazendo uma correlação entre as questões levantadas e as teorias trabalhadas, podemos, a partir da ideia de Lencioni (2006), entender a ação existente como processo de metropolização em Maceió, já que,

...o conceito de metrópole é polissêmico. Hoje em dia, sejam quais forem as interpretações do que vem a ser uma metrópole, alguns pontos são comuns. Um desses é a ideia de que a metrópole se constitui numa forma urbana de tamanho expressivo, quer relativo ao núcleo de sua população, quer em relação à sua extensão territorial; um segundo é que a metrópole tem uma gama diversa de atividades econômicas, destacando-se a concentração de serviço de ordem superior; um terceiro é que ela consiste num lócus privilegiado de inovação; um quarto é que constitui um ponto de grande densidade de emissão e recepção dos fluxos de informação e comunicação, e um quinto é que a metrópole se constitui em um nó significativo de redes, sejam de transporte, informação, comunicação, cultura, inovação, consumo, poder ou, mesmo, de cidades (Lencioni, 2006, p. 45).

Ao interpretarmos sua realidade, será que alguns desses pontos se aplicam a Maceió?

Argumentando a realidade de Maceió, nesse arranjo teórico-metodológico, vamos nos amparar em Santos (2004), quando o autor sugere que “As metrópoles são o escalão responsável pela macroorganização do território, mas é necessário distinguir metrópoles completas de metrópoles incompletas” (Santos, 2004, p. 284).

Correlacionando essa sugestão da completude e da incompletude relacionando com a organização territorial e a irradiação sobre um vasto espaço, conforme Santos (2004), ao aplicarmos essa proposta teórica a Maceió, averiguamos que a capital alagoana pode ser definida como uma metrópole incompleta, já que, conforme contribui a Figura 03 e de acordo com o mesmo autor “as metrópoles incompletas também se irradiam sobre um vasto espaço, mas só podem exercer a totalidade das funções comparáveis a partir de contribuições externas, vindas justamente, na maior parte dos casos, das metrópoles completas” (Santos, 2004, p. 284).

Nesse caso, como aponta a Figura 03 e segundo argumentações teóricas de Santos (2004), Maceió possui a contribuição externa de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Recife, pois ela, conforme o mesmo autor, “não dispõe da totalidade dos meios dessa dominação e são obrigadas a se completar fora” (Santos, 2004. p. 285). Sendo assim, podemos definir que Maceió seja uma metrópole incompleta e como o autor argumenta: “as metrópoles incompletas são regionais” (Santos, 2004. p. 285).

Essa regionalidade pode ser traduzida através da Figura 02, que demonstra a influência de Maceió em todo o estado de Alagoas, estendendo-se em algumas áreas para Pernambuco, Sergipe e Bahia.

Ainda nesse processo da interpretação de Maceió, acrescentamos que Lencioni (2006) elenca Maceió entre as regiões metropolitanas brasileiras criadas em 1998, ainda afirmando que,

A condição de capital cria maiores possibilidades de as metrópoles consolidarem o processo de metropolização que vem ocorrendo, pois, como capitais, polarizam a aglomeração urbana, constituindo nó importante de redes, bem como concentrando toda sorte de serviços mais avançados e de serviços públicos importantes para o capital, e, também, os fluxos de informação, comunicação e as universidades. É o caso, de Natal, São Luiz e Maceió, no Norte; Grande Vitória, no Sudeste; Goiânia e Brasília, no Centro-Oeste e Florianópolis no Sul (Lencioni, 2006, p. 55).

Acrescentamos nesse contexto que a condição de capital estadual cria possibilidades de as metrópoles consolidarem o processo de metropolização e refletimos sobre a polarização que Maceió realiza em sua aglomeração urbana, sendo um nó fundamental da rede. Dessa maneira concentra serviços avançados, tais como: os serviços públicos; os fluxos de informação; um aeroporto internacional; três universidades públicas, Universidade Federal de Alagoas, Universidade Estadual de Alagoas e Universidade de Ciências da Saúde de Alagoas; Instituto Federal de Alagoas; universidades privadas; hospitais com especialidades diversas de altas, médias e baixas complexidades; atividades culturais; convenções com eventos diversos, além de ser um dos principais destinos turísticos do país.

Adicionamos que no IBGE (2020), a definição da hierarquia urbana e das áreas de influência é feita através da identificação de determinados equipamentos e dos serviços que atraem populações de outras localidades. Tais características favorecem o deslocamento das pessoas a centros urbanos que disponham dessas funções. Dessa forma, a referida pesquisa do órgão citado favorece o conhecimento das relações entre as cidades brasileiras, com base nos fluxos de bens, serviços e gestão disponíveis em cada localidade.

Com relação ao estado de Alagoas, assinalamos que conforme o IBGE (2020), considerando a hierarquia urbana estadual, inexistem metrópoles no território alagoano, isto é, não se registra a ocorrência de cidades do primeiro nível hierárquico urbano no estado. O IBGE (2020) define que “A região de influência dessas centralidades é ampla e cobre toda a extensão territorial do país, com áreas de sobreposição em determinados contatos” processo que não se aplica a partir de Maceió, que tem menor alcance, e é definida como capital regional A.

Dessa forma, no que se refere ao segundo nível da hierarquia, as capitais regionais são os centros urbanos com alta concentração de atividades de gestão, mas com alcance menor em termos de região de influência em comparação com as metrópoles, apresentando contingente populacional próximo entre si, variando de 800mil a 1,4 milhão de habitantes em 2018. Assinala-se na pesquisa a existência de uma capital regional de nível “A” em Alagoas, que é a cidade de Maceió, capital do estado e uma capital regional de nível “C” que é Arapiraca.

O que enlaça essa questão é que essas capitais regionais possuem alta concentração de atividades de gestão, porém a diferença está somente no seu alcance, que é menor, muitas vezes se restringindo a um estado. Entretanto, Maceió se relaciona diretamente com Recife, metrópole “regional” que se posiciona em patamar superior nessa classificação hierárquica e possui influência ampla no Nordeste brasileiro.

O que se atesta é que Maceió, como capital regional de nível “A”, concentra diversas atividades de gestão, porém com alcance menor do que uma metrópole, conforme IBGE (2020), Figura 02.

Portanto, assinalamos que Maceió possui a condição de capital estadual; compõe uma região metropolitana; tem a condição de capital regional de nível “A”, conforme IBGE (2020); além de ser um polo de hierarquia superior diferenciado, conforme IBGE (2017). Estas condições servem de parâmetro coerente para uma reflexão sobre metropolização, pois como principal cidade na rede hierárquica urbana alagoana, integra funcionalmente o território estadual ao seu raio de influência.

Nesse contexto, no que se refere à condição de capital de estado, Lencioni (2006) afirma que essas cidades “polarizam a aglomeração urbana, constituindo nó importante de redes, bem como concentra toda sorte de serviços mais avançados e de serviços públicos importantes para o capital, e, também, os fluxos de informação, comunicação e as universidades” (Lencioni, 2006, p. 55).

Na condição de uma capital regional “A”, essas são centros urbanos com alta concentração de atividades de gestão, mas com alcance menor em termos de região de influência em comparação com as metrópoles. Conforme Figura 02, que expõe a região de influência de Maceió, é possível verificar que este fenômeno alcança todo o estado de Alagoas e transborda para os estados vizinhos, de acordo com IBGE (2020).

Atesta-se a partir da figura 02, que Maceió tem uma região de influência direcionada, como uma capital regional “A”, para uma capital regional “C”, que é Arapiraca, e na sequência para centros sub-regionais “B”, centros de zona “B” e para os centros locais de Alagoas. Logo, a capital possui uma influência que alcança todo o estado de Alagoas, havendo vinculações em direção a Pernambuco, quando, conforme Figura 02, alcança a cidade de Garanhuns, que também é uma capital regional “C”; Barreiros que é um centro de zona “A”; como também Paulo Afonso, na Bahia, que é um centro sub-regional “A”; e Propriá, em Sergipe, centro sub-regional “B”, entre outros centros não listados na figura citada.

Verifica-se que ocorre uma hierarquia nessas regiões de influência, quando Maceió influencia diretamente a sua hinterlândia, tendo pontes nesse processo com os demais centros considerados na hierarquia urbana como capital regional “C”, centros sub-regionais “B” e centros de zona “B” que influenciam os centros locais a si vinculados diretamente.

No que se refere à Figura 03, atestam-se conexões com a grande metrópole nacional, São Paulo, com as duas metrópoles nacionais, Rio de Janeiro e Brasília, com a metrópole Recife, além de conexões com a capital regional “A”, Aracaju, e com os demais centros listados na figura 02 que se referem à região de influência de Maceió, de acordo com IBGE (2020).

Nesse contexto, atestamos a área de influência e de conexões existentes a partir de Maceió, caracterizando um processo de definição de uma metropolização em ação, a partir das variáveis que definem esse artifício.

No que se refere às regiões geográficas intermediárias, conforme IBGE (2017), estas “organizam o território, articulando as Regiões Geográficas Imediatas por meio de um polo de hierarquia superior diferenciado a partir dos fluxos de gestão privado e público e da existência de funções urbanas de maior complexidade” (IBGE, 2017, p. 20).

Maceió pode ser um polo de hierarquia superior diferenciado, a partir dos fluxos de gestão privado e público e da existência de funções urbanas de maior complexidade, alcançando diretamente 52 das 102 cidades de Alagoas e, como polarizadora de uma região geográfica intermediária, sua condição agrupa 06 regiões geográficas imediatas, polarizando todo o leste alagoano (IBGE, 2017).

Nesse percurso de reconhecimento do processo de metropolização observamos, também, baseados em Lencioni (2017), que estão ocorrendo transformações profundas nas metrópoles, no que se refere à estrutura, forma e função. Tais transformações têm apresentado diversas denominações que buscam identificar essa metamorfose socioespacial, destacando que o que mais varia são os nomes do que as análises que são feitas sobre essas metamorfoses. Conforme a mesma autora,

A metropolização do espaço se constitui num processo socioespacial que transforma profundamente o território. A bem da verdade, não se trata de uma simples transformação, mas de uma verdadeira metamorfose, pois implica profundas alterações, quer de formas, bem como de estrutura e natureza. Daí, melhor o uso da expressão metamorfose do que o uso da palavra transformação. Em suma, a metropolização do espaço, se constitui num processo socioespacial que metamorfoseia o território (Lencioni, 2017, p. 41).

Avultando essa afirmação da metamorfose do espaço como consequência da metropolização, constituindo-se num processo socioespacial que transforma profundamente o território, observamos algumas características de metamorfoses, a partir do tema crescimento demográfico. O município de Maceió, a partir dos fluxos migratórios em decorrência da crise da produção canavieira em Alagoas e dos longos períodos de estiagem no semiárido alagoano, na primeira década do século XXI, apresenta nos censos demográficos do IBGE de 2000, 2010 e 2022, as seguintes variações: 714.866 habitantes, em 2000; 932.748, em 2010; e 957.916, tendo tido taxas de crescimento de 26,8%, 17,1% e 2,7%, respectivamente, nos períodos citados, demonstrando o processo de deslocamento, transbordamento e contenção populacional, como uma tríade na organização espacial.

Nesse processo é necessário destacar dois aspectos, o de contenção e o de transbordamento populacional ocorrido nessas duas últimas décadas. Propõe-se que contenção seja pensada como um processo em que, a partir do fluxo migratório direcionado para Maceió, a população permaneça nos municípios limítrofes à capital, pelo valor do solo e oferta de políticas habitacionais populares pelo Estado; enquanto o transbordamento seja um movimento inverso da capital para os seus municípios vizinhos, pelos mesmos motivos elencados. Neste sentido, o município de Rio Largo alcança a condição de terceiro maior município de Alagoas, concentrando 93.927 habitantes em 2022, tendo tido uma taxa de crescimento referente ao Censo Demográfico do IBGE de 2010, de 37,24%. Satuba teve, em termos percentuais, o maior crescimento no Censo Demográfico de 2022 em Alagoas, quando de 14.603 habitantes em 2010, salta para 24.278 habitantes em 2022, um aumento de 95,11% de sua população. Por sua vez, Marechal Deodoro, com população de 45.994 habitantes, em 2010, alcança 60.370 habitantes, em 2022, uma taxa de 31,76% de crescimento.

Esses municípios integram a região metropolitana de Maceió, contíguos e com um processo de conurbação avançado com a capital, inclusive havendo dificuldade de definição exata entre as manchas urbanas de Maceió, Rio Largo e Satuba, conforme Figura 04.

Com relação a Marechal Deodoro, também há um transbordamento e contenção populacional em consequência da construção de condomínios, loteamentos e conjuntos habitacionais para uma população de alta, média e baixa renda. Esses processos têm funcionado para conter a população e/ou provocado transbordamento de população proveniente de Maceió.

Sendo assim, a contenção e transbordamento são percebidos pelo grande número desses empreendimentos imobiliários construídos nos municípios limítrofes à capital e também explicados pela especulação imobiliária que aponta Maceió como a capital onde o preço do imóvel mais elevou-se no ano de 2023, conforme o Estadão IMóveis (2023). Também contribui para isto a instabilidade subterrânea em cinco bairros da capital, efeito da extração do sal-gema no subsolo e que obrigou mais de 60 mil pessoas a migrarem para outras áreas da capital, da região metropolitana de Maceió ou para outras cidades do estado, conforme Teles (2023).

Atesta-se na figura 04, que a distribuição das manchas urbanas se estende ao longo do Oceano Atlântico nos municípios de Maceió, Paripueira, Barra de Santo Antônio, Marechal Deodoro e Barra de São Miguel; assim como também em Maceió, Satuba, Santa Luzia do Norte e Coqueiro Seco margeia a laguna Mundaú; e, em Pilar e Marechal Deodoro, margeia a laguna Manguaba. Esse padrão está relacionado a questões de influência histórica que geraram cidades às margens das lagunas e do oceano, bem como, seguindo as principais artérias que começam ou se cruzam na região, tais como, as rodovias federais BR - 101, BR - 104, BR -316 e BR - 424 e a rodovia AL -101.

Elaboração própria. Fonte: Alagoas em Dados e Informações (2019)

Figura 04 Conurbação na região metropolitana de Maceió 

Resultados

Sendo assim, nessa empreitada que busca identificar o processo de metropolização ou reconhecer a metropolização em Maceió, destacamos, conforme Lencioni (2017), que oito características constituem a metropolização do espaço:

A primeira é que seu fundamento não diz respeito apenas à transição do rural para o urbano, muito embora o processo possa contê-la; porque seu núcleo é a urbanização. A segunda é a de que a metropolização do espaço conforma uma região de grande escala territorial, com limites extremamente dinâmicos e difusos. A terceira característica é a dessa região expressar ao mesmo tempo uma nítida e intensa fragmentação territorial e transparente segregação social, até então nunca vistas, ao lado de espaços com aspectos bastante homogêneos. A quarta característica deve-se a redefinição das antigas hierarquias entre as cidades da região e da rede de relações entre elas. A quinta diz respeito ao expressivo número de cidades conurbadas com incrível polinucleação e intensa e múltipla rede de fluxos. A sexta característica está relacionada à diminuição relativa do crescimento demográfico da cidade central, acompanhada de expressão demográfica e desenvolvimento do ambiente construído de outros municípios da região. A sétima característica se pauta pela redefinição das pequenas cidades dessa região, conformando um novo tipo de integração dessas pequenas cidades com os espaços polinucleados. A oitava diz respeito à intensidade dos expressivos movimentos pendulares entre algumas cidades da região, consagrando uma expressiva estrutura regional em rede (Lencioni, 2017, p. 30).

Com base nas características reunidas pela autora, acerca do processo de metropolização, analisamos as oito características que constituem a metropolização do espaço, conforme conceito apresentado anteriormente:

De início destacamos que no município de Maceió, conforme IBGE (2022), que concentra 957.916 habitantes, 99,93% é considerada urbana e apenas 0,07% é considerada rural, o que acarreta um processo de concentração na cidade, porém, no que se refere à urbanização atestamos, conforme Santos (2005), que essa “deve-se sobretudo às atividades de relações complexas” (Santos, 2005, p. 09), em vários setores, que acontecem na capital, relações complexas no que se referem ao aparelho burocrático municipal, estadual, federal e privado existentes em Maceió.

O espaço conforma uma região de grande escala territorial, formalizada por 13 municípios com limites dinâmicos e difusos, considerando, nessas perspectivas, a inexatidão de limites urbanos entre alguns dos municípios que compõem essa região metropolitana e consequentemente de algumas das cidades integrantes dessa região, com equipamentos que estão distribuídos entre os municípios da região metropolitana de Maceió, com destaque para o aeroporto internacional Zumbi dos Palmares, no município de Rio Largo, e plantas do polo cloroquímico, em Maceió, Marechal Deodoro e Pilar.

A região expressa uma nítida e intensa fragmentação territorial, com transparente segregação socioespacial, a exemplo dos agentes que produzem o espaço urbano e definem a planície litorânea como área que concentra a população de alta e média renda, enquanto os grupos sociais excluídos ocupam as encostas dos tabuleiros e as “grotas” de rios que cruzam a região. Destaca-se, ainda, a construção de conjuntos habitacionais para a população de baixa renda, localizados, principalmente, nos municípios vizinhos a Maceió, promovendo o início de uma ação de agrupamento da população carente nos municípios vizinhos da capital, a exemplo de Rio Largo que alcança, na hierarquia da população estadual a terceira posição, ultrapassando a população de municípios do interior alagoano, assim como destacamos Satuba, que teve a maior taxa de crescimento entre os municípios do estado.

No que se refere à redefinição das antigas hierarquias entre as cidades da região metropolitana de Maceió e da rede de relações entre elas, considerando as publicações do IBGE em 2008 e 2020, a cidade de Maceió permanece como capital regional “A” nos dois trabalhos. Quanto às demais cidades da região metropolitana, mantêm-se como centros locais, apesar da dinâmica demográfica ocorrida, quando Rio Largo, alcança 93.927 habitantes, de acordo com IBGE (2022), sendo o terceiro maior município de Alagoas, ultrapassando Palmeira dos Índios que antes detinha essa condição. Com relação às regiões geográficas imediatas, a sua configuração apresenta mudanças, pois, Atalaia, que compõe a região metropolitana de Maceió, comanda outra região geográfica imediata e municípios como Joaquim Gomes e Flexeiras compõem a região geográfica imediata de Maceió.

No que se refere ao PIB (produto interno bruto) de Alagoas, este totaliza R$ 76,27 bilhões de reais, estando concentrado 52,58% em cinco municípios do estado que são assim definidos: Maceió, 36,04%; Arapiraca, 7,76%; Marechal Deodoro, 4,46%; Coruripe, 2,34% e; Atalaia, 1,97%, evidenciando que entre os cinco maiores PIBs municipais do estado, três municípios compõem a região metropolitana de Maceió, sendo que a capital concentra a maior parte deste total, de acordo com Alagoas em Dados e Informações (2022).

Destacamos também, nesse arquétipo regional, a condição da sede do município de Marechal Deodoro que, de primeira capital estadual, atualmente compõe a região metropolitana como uma cidade dormitório, apesar do crescimento demográfico e da especulação imobiliária na costa marítima verificados no município, além do polo multifabril industrial José Aprígio Vilela. Nesse contexto, ainda avultamos, que o movimento entre as cidades da região metropolitana de Maceió, ocorre inicialmente como um processo que pode ser definido como cidades dormitórios, pois Beaujeu-Garnier (1997), destaca que, “A população habita numa cidade e vai trabalhar a outra, que, em geral, corresponde à cidade-centro. São os famosos movimentos migratórios quotidianos ou movimentos pendulares” (Beaujeu-Garnier, 1997, p. 130). Nesse caso, a cidade - centro em foco é Maceió.

Também refletimos na realidade regional em foco, as cidades satélites que são, conforme a mesma autora, “pequenos centros urbanos que oferecem emprego à sua população, mas cujos serviços são relativamente difíceis e incitam, por isso, os habitantes a procurar na metrópole vizinha o comércio e equipamentos diversos” (Beaujeu-Garnier, 1997, p. 130). A mesma autora ainda destaca que as cidades satélites recebem a população da cidade para as férias, o que podemos aplicar para a realidade de Barra de São Miguel, Barra de Santo Antônio e Paripueira, no contexto da realidade em foco, quando moradores de Maceió possuem segunda residência nesses municípios.

Refletimos ainda que a partir de Maceió, que tem o seu crescimento espacial estabelecido principalmente ao longo das rodovias BR - 316, BR - 104, BR - 101 e AL - 101, conforme figura 04, formaliza-se uma conurbação com Satuba, através da primeira rodovia mencionada; com Rio Largo e Messias, através da segunda e terceira rodovias elencadas; e, com Marechal Deodoro e Barra de São Miguel, para o sul, e Paripueira e Barra de Santo Antônio para o Norte, através da quarta rodovia citada. Ou seja, a expansão territorial da capital alagoana tem acompanhado os trajetos das principais rodovias que atravessam sua região e se intensificaram com as obras de duplicação. Atesta-se o aumento da rede de fluxos entre estas cidades e uma polinucleação de algumas atividades, com destaque para o polo cloroquímico de Alagoas. Acrescentamos a rodovia BR - 424, que interliga, desde o entroncamento com a rodovia BR - 316 até o entroncamento com a rodovia AL - 101, esses dois importantes eixos, conectando e facilitando o deslocamento da população na região metropolitana de Maceió, além de permitir o escoamento de produtos industrializados do polo multifabril industrial José Aprígio Vilela, localizado às suas margens.

Atesta-se que Maceió tem registrado uma diminuição nas taxas de crescimento nas últimas edições dos censos demográficos, pois conforme IBGE (2000), Maceió concentrava 796.842 habitantes, um crescimento populacional de 26,8% comparado ao IBGE (1991). No IBGE (2010), Maceió passa a concentrar 932.748 habitantes, um crescimento demográfico de 17,1%, comparado a 2000 e, em IBGE (2022), Maceió alcança 957.916 habitantes, uma taxa de crescimento de apenas 2,7%, conforme, IBGE em 1991, 2000, 2010 e 2022.

Com relação a Rio Largo, em IBGE (2000), esse município concentrava uma população de 65.510 pessoas, tendo tido uma taxa de crescimento de 15,92%, com relação ao IBGE (1991). Em 2010, alcança 68.481, uma taxa de crescimento de 9,6%, comprado ao IBGE (2000). Conforme IBGE (2022), concentra 93.927 habitantes, uma taxa de crescimento de 37,24%, passando a ocupar a terceira posição entre os municípios mais populosos de Alagoas, ultrapassando municípios do interior que detinha essa condição, como Palmeira dos Índios.

No que se refere à Satuba, o município, conforme IBGE (2022), obteve a maior taxa de crescimento entre os municípios alagoanos de 95,11%, alcançando 24.278 habitantes, pois antes ali residiam, conforme o IBGE (2000), 14.603 pessoas. A taxa de crescimento entre 2000 e 2010 foi de 16,31%, pois conforme IBGE (2000), residiam 12.555 habitantes. No que se refere a taxa de crescimento entre os censos demográficos de 1991 e 2000, esta tinha sido de 36,68%.

Marechal Deodoro, obteve um crescimento demográfico de 31,76% entre os censos do IBGE em 2010 e 2022, pois, de 45.977 habitantes, o município alcançou 60.370 habitantes. Entre o IBGE em 1991 e 2000 a taxa de crescimento foi de 44,56% e, entre 2000 e 2010 a taxa de crescimento foi de 28,19%.

Esses dados informados comprovam a ocorrência de uma diminuição do crescimento demográfico do município polo - Maceió, no contexto da região metropolitana, conforme quadro 02, ocorrendo algumas variações entre os outros municípios avaliados.

Quadro 02 População e taxa de crescimento dos municípios de Maceió, Rio Largo, Satuba e Marechal Deodoro 

Maceió 2000 2010 2022
População 796.842 932.748 957.916
Taxa de crescimento 26,8% 17,1% 2,7%
Rio Largo 2000 2010 2022
População 65.510 68.481 93.927
Taxa de crescimento 15,92% 9,6% 37,24%
Satuba 2000 2010 2022
População 12.555 14.603 24.278
Taxa de crescimento 36,68% 16,31% 95,11%
Marechal Deodoro 2000 2010 2022
População 35.866 45.977 60.370
Taxa de crescimento 44,56% 28,19% 31,76%

Fontes: IBGE (1991); (2000); (2010); (2022).

A partir desses dados demográficos apresentados, assim como pela distribuição de equipamentos e serviços, podemos atestar que está ocorrendo uma redefinição das pequenas cidades da região, algumas sendo alcançadas por equipamentos que conformam um novo tipo de integração, a exemplo do aeroporto internacional Zumbi dos Palmares, na área de transição entre os municípios de Rio Largo e Maceió e, também, pela localização do Instituto Federal de Alagoas, em Satuba. A localização estratégica do Hospital Metropolitano de Alagoas, que, a partir de Maceió, alcança Satuba, Pilar, Rio Largo, Messias, Santa Luzia do Norte, Coqueiro Seco, Murici e Atalaia, entre outros. A extração de gás natural em Pilar redefine sua condição de cidade na região, como também o parque industrial instalado em Rio Largo, o polo multifabril industrial José Aprígio Vilela em Marechal Deodoro, as atividades turísticas com instalação de equipamentos de grupos internacionais em Barra de Santo Antônio, Marechal Deodoro e Barra de São Miguel, ao longo do litoral regional.

Por fim, Maceió recebe, diariamente, movimento pendular expressivo por parte da população circunvizinha, conforme Ribeiro (2021), 88% da população que habita a área conurbada composta por Maceió, Rio Largo e Satuba trabalham em Maceió, 5% trabalham em Rio Largo, 1% em Satuba e 6% em nenhum dos municípios; 100% dessa população realiza compras grandes em Maceió; 66% realizam pequenas compras em Maceió, 24% em Satuba, 10% em Rio Largo; 90% exercem atividade de lazer em Maceió, 8% em Rio Largo e 2% em Satuba. Tais dados demonstram que, a partir dessa área, existe uma intensidade de movimentos pendulares entre algumas cidades da região, aplicando uma estrutura regional vigente. Acrescentamos que o transporte ferroviário possibilita e motiva esse deslocamento, interligando esses três municípios apresentados.

Considerações Finais

Na busca de reconhecer Maceió como metrópole, interpretando a sua realidade, nos amparamos em reflexões teóricas metodológicas diversas que permeiam a discussão, o que nos leva a algumas sugestões.

Primeiro, consideramos, a partir das questões apresentadas que se referem a Maceió como capital estadual, cidade-polo de uma região geográfica intermediária e de uma região geográfica imediata, assim como uma capital regional de nível “A”, relacionadas com as variáveis elencadas, que a mesma apresenta ações que possibilitam o reconhecimento de metropolização. Partimos da proposta de que a ideia de metrópole é condicionada pelos equipamentos que a cidade concentra e a metropolização está ancorada no alcance que esta abrange, isto é, as influências e conexões, conforme Figuras 02 e 03, de acordo com IBGE (2017) e IBGE (2020).

Segundo, entendemos que a principal cidade alagoana e o arranjo populacional ao qual pertence atendem, em maior ou menor intensidade, aos itens enumerados que reconhecem uma metrópole. Isto nos leva a concluir que Maceió apresenta um processo de metropolização do espaço, definida como uma metrópole incompleta, sendo consequentemente regional, conforme Santos (2004), já que a mesma não dispõe da totalidade dos meios de domínio, sendo obrigada a se completar fora.

Terceiro, partimos de Lencioni (2017), quando a autora elenca alguns pontos para interpretar o que é uma metrópole, levando-nos ao uso desses pontos para reconhecer a metrópole Maceió, já que:

Um desses é a ideia que a metrópole se constitui numa forma urbana de tamanho expressivo, quer relativo ao número de sua população, quer em relação à sua extensão territorial. O segundo ponto é que a metrópole possui uma gama de atividades econômicas, destacando-se a concentração de serviços de ordem superior; o terceiro é que ela se constitui num lócus privilegiado de inovação; o quarto é que se constitui num ponto de grande densidade de emissão e recepção dos fluxos de informação e comunicação, e o quinto é que a metrópole se constitui num nó significativo de redes, quer seja de transporte, informação, comunicação, cultura, inovação, consumo, poder ou, mesmo, de cidades.

Maceió se constitui numa forma urbana de tamanho expressivo, quer relativo ao número de sua população, concentrando 957.016 habitantes, quer em relação a sua extensão territorial municipal de 509,6 Km². Reúne serviços de ordem superior, a exemplo de complexidades na área de saúde, educação, transporte aéreo e rodoviário; pode ser considerada um lócus privilegiado de inovação com a instalação do centro de inovação do polo de tecnologia - CIPT do Jaraguá, que é o maior hub de tecnologias de Alagoas, contando com empresas de base tecnologia instalada, de acordo com Alagoas (2021). Por ser capital estadual e concentrar polos industriais de base sucroalcooleira e cloroquímica, assim como, por ser uma das principais destinações turísticas do Nordeste brasileiro, possui grande densidade de emissão e recepção de fluxos de informação e comunicação, sendo um nó significativo da rede.

Concluímos que Maceió, ao longo de sua história, firmou-se economicamente no setor de comércio e serviços, inicialmente voltados para atender às necessidades locais. As duas atividades cresceram e se dinamizaram nas últimas décadas, principalmente o polo de serviços, com a ampliação das instituições de ensino superior - inclusive cursos de pós-graduação; o desenvolvimento da atividade turística; o aumento da rede hospitalar de média e alta complexidade; e o incentivo às tecnologias da informação.

Essas atividades despontam como fundamentais para fortalecer o processo de metropolização e traçar os caminhos que conduzem a capital alagoana a ser reconhecida como uma metrópole incompleta regional

Referências

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Recibido: 03 de Abril de 2024; Aprobado: 20 de Abril de 2024

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